A Operação Sonar, deflagrada pela Polícia Federal (PF) com participação da Controladoria-Geral da União (CGU), investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos, cobrança de vantagens indevidas de fornecedores, direcionamento de contratos e lavagem de dinheiro dentro da Companhia Docas do Pará (CDP), empresa pública federal sediada em Belém.
Documentos que integram a investigação apontam Jardel Rodrigues da Silva, então presidente da CDP, como uma das principais figuras do esquema investigado. Segundo a apuração, ele teria centralizado decisões relacionadas à autorização de pagamentos e determinado a retenção de faturas de fornecedores, que posteriormente seriam utilizadas para a cobrança de valores.
A investigação aponta ainda a participação de outros servidores e agentes ligados à estrutura da companhia. Entre eles está Renata Valle de Lima, gerente de gabinete da Presidência, que teria atuado na tramitação e priorização de pagamentos considerados irregulares.
R$ 1,2 milhão apreendido
Durante a operação, realizada na terça-feira (15), em Belém, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, encontrado dentro de duas malas. Um dos investigados foi preso em flagrante durante o cumprimento dos mandados.
A Justiça Federal também determinou o afastamento cautelar de 12 servidores e agentes ligados à CDP, além da proibição de acesso às dependências da empresa e de contato com fornecedores e outros investigados. Também houve determinação para bloqueio de até R$ 17 milhões em bens e valores.
A apuração reúne suspeitas envolvendo contratos, pagamentos e processos de contratação da companhia. Entre as empresas citadas nos documentos estão a SS Eventos e Serviços Ltda. e a Fortes Serviços Ltda., que aparecem relacionadas a contratos sob investigação.
De acordo com os investigadores, o suposto esquema teria envolvido diferentes núcleos de atuação dentro e fora da empresa, com participação de servidores, empresários e representantes de entidades. As condutas atribuídas aos investigados ainda estão sendo apuradas pela Justiça e pelos órgãos responsáveis pela investigação.
A inclusão dos nomes nos documentos da operação não representa condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal. Os fatos ainda serão analisados no decorrer da investigação e do processo judicial.
Fonte da notícia: Folha do Progresso, com informações da investigação e de documentos obtidos pelo Grupo Liberal.